quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Preciosa a Graça de Jesus





Preciosa a graça de Jesus,
que um dia me salvou.
Perdido andei, sem ver a luz,
mas Cristo me encontrou.
A graça, então, meu coração
do medo me libertou.
Oh, quão preciosa salvação
a graça me outorgou!
Promessas deu-me o Salvador,
e nele eu posso crer.
É meu refúgio e protetor
em todo o meu viver.
Perigos mil atravessei
e a graça me valeu.
Eu são e salvo agora irei
ao santo lar do céu.

 
O Hino Preciosa Graça (Amazing Grace), é, sem duvida, um dos mais belos hinos cristãos, um dos mais cantados e mais admirados em todo o mundo. Sua história me deixa maravilhado e motivado a seguir em frente na caminhada cristã rumo as Mansões celestiais.
O autor dessa letra é John Newton. Pesquisadores acreditam que esse hino foi escrito entre 1760 e 1770, baseado em 1 Crônicas 17.16-17, texto em que o rei Davi rememora a misericórdia de Deus para com um homem tão insignificante e pecador como ele. Foi escrita para ilustrar um sermão no dia de ano novo de 1773 e fez parte dos "Hinos Olney", hinário de músicas compostas por John Newton e seu amigo, o poeta William Cowper. Em todos os lugares em que se narra a história desse hino, sua letra é atribuída a John Newton, que antes de conhecer a Jesus como Salvador era capitão de um navio negreiro,  mas a melodia sempre é atribuída a um autor desconhecido.
Músicos contemporâneos, como Wintley Phipps, em seus estudos sobre a musicalidade desse hino, atribuem Amazing Grace a um estilo conhecido como “Spiritual”, música negra evangélica cuja origem remonta os cânticos entoados pelos negros escravos evangélicos nos Estados Unidos (por volta do século XVII). Uma das características desse estilo “Spiritual” é ser um lamento, tom manso, num andamento "largo" e meditativo e, os negros, acorrentados, poderiam cantar sentados e a “capella”. Hoje se diz que a maioria desses hinos podem ser tocados na “escala pentatónica”, as chamadas teclas negras do piano. A história de conversão de Newton remonta a uma tempestade que ele enfrentou em alto mar. Assim, surge a possibilidade de que em meio àquela Tempestade, Newton o capitão do navio negreiro, ouvia uma melodia vinda do porão, sendo impactado pela Graça Salvadora de Jesus, que tem poder para salvar o mais vil pecador. Após essa tempestade e experiência de conversão, John Newton, tornou-se Pastor em Olney, na Inglaterra (1764 a 1780), faleceu com a idade de 82 anos, em 21 de dezembro de 1807. Ele mesmo resumiu sua vida e escreveu seu próprio epitáfio, que diz:
John Clerk Newton,
Uma vez um infiel e libertino,
Um servo de escravos na África,
Foi pela misericórdia de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo
Preservado, restaurado, perdoado,
E nomeado para pregar a fé que ele
Tinha se esforçado muito para destruir .... 
 
Por que que eu resolvi contar essa história aqui? Para lembrar a você, amado leitor, que essa Graça Salvadora está presente, como sempre esteve, seja após a Queda com a Palavra da promessa do Salvador; seja na pregação e salvação da família de Noé; seja na chamada de Abraão; no perdão que o rei Davi encontrou; no encontro de Rute com Boaz; na fé de Raabe… e na forma mais abundante e perfeita da Graça: no Verbo que se fez carne e habitou entre nós (Jo 1.14), JESUS CRISTO.
Brancos, negros, gentios, judeus, servos, livres, homem ou mulher. A Graça de Deus nos alcança e tem o poder de mudar histórias.
Este ano comemoramos 95 Anos da Assembleia de Deus na Paraíba e a Mensagem da Preciosa Graça que se manifesta por meio de Cristo Jesus sempre esteve (e está) presente em cada cidade, em cada púlpito. Essa Mensagem é base de sua pregação. Sinta a Graça de Deus perdoando, salvando, curando, nos levando para o céu. A graça alcançou Saulo de Tarso; alcançou John Newton tornando-o um ex-traficante de escravos. A Graça nos alcançou. Graças a Deus!!!!

Pr. Eduardo Leandro Alves

Fonte: De traficante de escravos a pregador - A história de John Newton. Brian Edwards. Ed. Fiel. 2001.
http://www.youtube.com/watch?v=jzsdbhCWJik

 

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Guardiões da Lei (estatutos, regimentos...)





Uma das passagens mais conhecidas do escritor russo Dostoievski é a historia do Grande Inquisidor, relatada no livro "Os irmãos Karamazov", um clássico da literatura mundial. O cenário é Sevilha, nos tempos da Inquisição. Ainda na véspera, uma centena de hereges havia sido queimada, para maior glória de Deus, num soberbo auto de fé. Eis que agora… quem aparece caminhando na mesma praça? Jesus! Afinal de contas estava escrito que um dia ele voltaria. Na análise crítica de Roberto Pompeu de Toledo[1], “parece que Jesus resolveu voltar bem no momento da história em que os que se fizeram de donos de sua mensagem adotaram a política de silenciar pelas chamas os insubmissos e desobedientes, os desviantes ou os considerados como tais”.

O Grande Inquisidor, um Cardeal já bastante idoso, percebe que Jesus está andando pela cidade, pois as multidões o seguem. O Cardeal não gosta desta aparição e o lança na prisão. Ali eles se encontram e travam um diálogo. O Inquisidor tem uma acusação a fazer: rejeitando as três tentações, Jesus perdeu o direito aos três grandes poderes que estavam a sua disposição: “milagre, mistério e autoridade”. A ideia era: Será que Jesus não percebeu que era isso que o povo queria? Disse o Cardeal: “Em vez de tomar posse da liberdade dos homens, aumentaste-as e queimaste o reino espiritual da humanidade com seus sofrimentos eternos. Desejaste o amor livre do homem, que ele te seguisse livremente, atraído e cativo por ti.”

Quando Jesus resiste às tentações, segundo o pensamento do Cardeal, Jesus tornou-se difícil demais de ser aceito. Sujeitou sua vantagem maior: o poder de impor a fé. Felizmente, disse o Cardeal, a Igreja reconheceu o erro e o corrigiu, e tem se apoiado no milagre, no mistério e na autoridade desde então. Por esse motivo, o Inquisidor deveria executar Jesus mais uma vez, para que ele não impedisse a obra da Igreja.

Da mesma forma, a tentação do deserto revela uma profunda diferença entre o poder de Deus e o poder de Satanás. Satanás tem só poder de coagir, de estontear, de forçar a obediência, de destruir. Os seres humanos aprenderam bem beber desse poder. O poder de Satanás é coercivo e externo. O poder de Deus é diferente, é interno e não coercivo. “Não se pode escravizar o homem por meio do milagre, e a fé necessária é gratuita, não fundamentada em milagre”, disse ao Cardeal.

O que parece claro nessa fábula é que o velho Inquisidor que aparece na cela, é um homem muito ciente de seus deveres e de sua autoridade e por isso lhe comunica que, no dia seguinte, será queimado. Não dá ao condenado nem o direito de fala. Ordena-lhe: “Não digas nada, cala-te. Que poderias tu dizer? Não tens o direito de acrescentar uma só palavra ao que dissestes outrora”.

Nessa fábula, Dostoievski tinha em mente Jesus e os descaminhos de sua herança nas mãos dos que dela se apropriaram. Dá para fazer uma moral expandida da fábula com todos os descaminhos que se fazem mundo a fora em nome de Deus...

Uma delas: Em uma sala, em um imponente prédio em uma grande capital... um grupo de pessoas “ciente de seus poderes e de sua autoridade" comunicou ao Pastor da Primeira Igreja Assembleia de Deus fundada no Brasil que ele não faz mais parte de seu quadro de associados! Não possui uma postura digna de membro da Geral. Fogueira... Somos bons demais para que pessoas como você permaneça no meio de nós... Guardiões... podemos apedrejar? O estatuto diz... Fogueira!!!! Surgirá uma série de Guardiões para citar textos isolados, como: "saíram de nós porque não eram nossos", etc. Quando na verdade a base de tudo é o medo que surge quando alguém questiona, isso faz com que se sintam ameaçados. Uma sombra começa a surgir... isso não é bom...

Pessoas como o "velho Cardeal" da fábula, se esquecem que ideais não morrem nas fogueiras das vaidades... sonhos não se calam... A marcha da história não perdoa os irrelevantes.

Foi assim com Pinheiro Machado na história do Brasil. Influente, articulador segundo os seus próprios interesses, mas que na sequência da história foi esquecido.

Agora, se eu perguntar quem foi Rui Barbosa... No mínimo a maioria dirá que foi uma pessoa de boa influência no Brasil.

Como bem disse o Senador Pedro Simon: “O Rui Barbosa é o nosso grande patrono no Senado, mas como político foi um homem de derrotas. Perdeu duas vezes a eleição para presidente da República e não tinha influência no governo. Quem mandava e elegia presidentes era o (José Gomes) Pinheiro Machado, de quem hoje ninguém fala.

Precisamos ter a capacidade de discordar. De olhar para o outro e dizer, possuo uma proposta diferente, entendo que esse caminho é o melhor. A verdade resiste ao debate. Deixe a alma e a consciência das pessoas fazerem suas escolhas (os que são cheios do Espírito Santo farão suas escolhas pelo Espírito). Mas... papel de Inquisidor, deixe para as fábulas de Dostoievski.

Senhores, dotados de autoridade espiritual, consultem menos seus assessores jurídicos e mais o Espírito Santo. Ele entende mais de Corpo de Cristo do que seus advogados.




[1] Veja 8/5/2013

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

A FELICIDADE DOS MANSOS



Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra (Mt 5.5)

É sabido que o mundo, enquanto sistema, rejeita os valores do Reino de Deus. O sistema pensa em termos de força, de poderio militar, bélico, econômico e político. Quanto mais agressivo, mais forte. Jesus, porém, disse que não são os fortes e os arrogantes que são felizes; nem são eles que vão herdar a terra, mas os mansos. Neste caso, ser cristão é ser totalmente diferente, pois somos uma nova criatura, possuímos um novo nome, uma nova mente, nascemos de novo, somos de outro Reino.

A verdade é que Jesus frustrou muitos de seus contemporâneos. Os judeus, subjulgados pelos romanos desde o ano 63 a.C, aguardavam um Messias político, guerreiro, que implantasse Seu Reino pela força. Haviam vários grupos em Israel, os 4 mais importantes eram: os fariseus, que como religiosos conservadores, esperavam um Messias milagroso; os saduceus, que eram os liberais, queriam um Messias materialista; os essênios, eram místicos que viviam nas cavernas próximas ao Mar morto, eles queriam um Messias monástico; e os zelotes, eram ativistas militares que se insurgiam contra Roma, queriam um Jesus militar. Os próprios apóstolos queriam uma restauração política (At 1.6). Jesus, porém veio com outras propostas e o povo disse: Não queremos esse Messias. Fora com ele! Crucifica-o!!

Agora, manso neste contexto das bem-aventuranças não pode ser confundido com uma atribuição natural, como uma boa índole, uma pessoa educada socialmente, pois não é algo externo, mas uma obra da graça no coração. Ser manso não é virtude, é graça! Ser manso não é ser mole, ou ficar impassível diante dos problemas. Não é ser tímido ou covarde, medroso, ou indolente. As pessoas mansas na Bíblia foram profundamente vigorosas e enérgicas. Tiveram coragem de se posicionar contra o erro. Enfrentaram acoites, prisões e a própria morte devido aos seus posicionamentos. Basta somente olharmos para Moisés, Paulo, Jeremias, o próprio Cristo. Jesus era manso e humilde de coração, mas expulsou do Templo vendilhões, teve coragem de morrer na Cruz e de acusar o pecado. Mansidão não significa impotência, mas domínio próprio. “Quem não tem domínio próprio é como uma cidade derribada (Pv 25.28). Ser manso não é ser conivente e com isso manter a paz a qualquer preço, ficando em cima do muro e agradar a gregos e troianos. Ser manso não é ser neutro, ou viver sem cor ou sem sal, sem opinião própria.

O QUE SIGNIFICA SER MANSO

É ser submisso a vontade de Deus. Uma pessoa mansa não se rebela contra a vontade de Deus e não vive uma vida de murmuração. Uma pessoa mansa é como Paulo, sabe viver em qualquer situação (Fp 4.11). Está sempre dando graças a Deus, sabendo que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus.

É estar debaixo do controle de Deus. O manso é aquele que literalmente “foi domesticado”. A palavra grega para manso, praus, significa meigo, trata-se da atitude humilde e mansa que se expressa na submissão às ofensas, livre de malícia e de desejo de vingança. Significa um dos termos mais elevados no vocabulário ético dos gregos antigos; a virtude como equilíbrio entre dois extremos alcançada por quem é manso.

Nas palavras do Pr. Hernandes Dias Lopes, o manso é aquele que tem força, mas a força está sob controle. A Bíblia fala que é mais forte aquele que domina o seu espírito do que aquele que domina uma cidade.

Dr. Lloyde-Jones diz que manso é aquele não reivindica os seus próprios direitos. O manso não exige coisa alguma para si. Não considera todos os seus legítimos direitos como algo a ser exigido. Não faz exigências quanto a sua posição, aos seus privilégios, às suas possessões e à sua situação na vida. Jesus, sendo Deus não teve como usurpação o ser igual a Deus (Fp 2.5,6). O manso é aquele que está disposto a sofrer o dano. Como Paulo escreveu aos Coríntios, em uma demanda entre irmãos, ele está pronto a sofrer o dano em vez de buscar levar vantagem (1Co 6.7).

O indivíduo que é manso admira-se de Deus e dos homens pensarem tão bem dele quanto realmente pensam. Além disso, uma pessoa mansa não se inflama facilmente (Sl 38.12,13).

Com esses conceitos em mente, entendemos que Jesus promete uma recompensa aos mansos:

Uma profunda e gloriosa felicidade. Macarios, uma palavra usada pelos gregos para falar da felicidade dos deuses. Uma felicidade plena que não depende das circunstancias.

A herança da terra no tempo. Mesmo sendo forasteiros na terra (Hb 11.37), os mansos são aqueles que herdam a terra. Eles comem o melhor dessa terra. O ímpio pode ter a posse temporal da terra, mas o manso usufrui as benesses dessa terra.

Nesse sentido os mansos já são herdeiros da terra, na vida presente. Pois o manso é uma pessoa satisfeita. Sente-se contente. Ele nada tem, mas tudo possui. Paulo diz: “entristecidos, mas sempre alegres, pobres, mas enriquecendo a muitos, nada tendo, mas possuindo tudo” (2Co 6.10). O manso é cidadão do céu. O manso é filho de Deus, o manso é herdeiro de Deus e co-herdeiro com Cristo. Do Senhor é a terra a sua plenitude. Ou seja, tudo o que pertence ao Senhor, pertence ao manso.

Nesse caso, conquistarão a terra não pelas armas, não pela força, mas por herança. O manso herda as bênçãos da terra. O manso desfrutará também a terra restaurada, redimida do seu cativeiro. Ele habitará no seu novo céu e na nova terra. O manso não apenas herda a terra, mas também o céu.