Aqui você vai poder ler artigos que tratam de política, liderança, religião, entre outras análises desta Terra de Gigantes, onde pessoas são trocadas por diamantes...
terça-feira, 28 de setembro de 2010
A CAUTERIZAÇÃO DA MENTE E A INSTITUCIONALIZAÇÃO DA INIQUIDADE
Estamos vivendo nestes dias que Paulo previu a dois mil anos.
No final do ano passado estava fazendo compras em um hipermercado da cidade de João Pessoa e vi alguns adolescentes conversando. Me aproximei, e, fiquei prestando atenção na conversa deles (sei que a boa educação nos ensina a não ouvir conversas alheias...), mas o fato é que eu não entendi a metade do que eles estavam dizendo! Fiquei muito angustiado... percebi que ao meu lado haviam pessoas, uma outra geração, que eu não compreendia os seus argumentos. E se eu não compreendia os seus argumentos, logicamente, eles também não me entenderiam.
Isso é um problema! Eu sou um pastor auxiliar de um grande campo, mas que cuido de uma pequena igreja. Percebi que estava correndo o risco de haver uma distancia muito grande entre o que eu falo no púlpito e o que é significativo aos ouvidos desta geração.
Foi nessa angústia que resolvi voltar a sala de aula. Assumi o ensino de Filosofia para turmas do ensino Médio em uma escola de ensino privado. Tem sido um experiência fantástica e preocupante. Esses dias estava falando sobre a ética na história até o tempo presente. Então um aluno, com no máximo 16 anos disse: “Eu acho que o aborto é uma decisão exclusiva da mulher. Afinal de contas o corpo é dela e ela decide o que fazer com ele”! Outros concordaram e tratavam esse assunto, e outros bem complexos como uma coisa trivial! Tratei então sobre o valor que estamos dando a vida, e que um feto não pode ser tratado como uma unha, um cabelo, que decidimos quando cortar, pois é um ser humano gerado por decisão de outros seres humanos que devem ter capacidade de assumir as suas responsabilidades.
O fato é que estamos vivendo dias difíceis e trabalhosos. A mídia e determinados grupos tentam impor, o que é chamado de “a ditadura do secularismo”. As pessoas estão bebendo dessa fonte. Deus não importa mais, afinal cada um cria o deus que melhor pode satisfazer os seus desejos. Os valores, assim como a verdade, é relativo.
As mentes estão cauterizadas. A maldade, o pecado, e seus derivados, não causam mais espanto. Com isso cresce a iniquidade.
Estamos em um momento crucial na hisória do Brasil. Na próxima legislatura há inúmeras leis que serão votadas e que se forem votadas por pessoas de mentes cauterizadas e iníquoas, a iniquidade será institucionalizada.
Um dos exemplos é o Projeto de Lei 122, que se for aprovado vai criminalizar cidadãos que não concordam com as as práticas homossexuais. A Argentina já aprovou o casamento de pessoas do mesmo sexo. Ainda há a questão da legalização do aborto, da discriminalização da maconha, entre outros.
Pastor Paschoal Piragine Júnior, foi extremamente corajoso ao fazer um pronunciamento na 1ª Igreja Batista de Curitiba alertando os membros daquela igreja para o perigo que nos ronda e da responsabilidade profética da igreja nestes dias. Por isso está sendo processado pelo Partido dos Trabalhadores.
Pr. Silas Malafaia, em seu programa de televisão, sugeriu que este vídeo fosse visto e mais de 2 milhões de pessoas assistiram o vídeo (http://www.youtube.com/watch?v=ILwU5GhY9MI).
O fato é que nesta eleição não podemos votar a favor da institucionalização da Iniquidade. Pois como igreja de Jesus temos responsabilidades para com Ele e para com a Bíblia que pregamos.
Neste artigo, junto a minha pequena voz à voz de tantos outros, não para dizer em quem se deve votar, mas para dizer em quem não se deve votar.
O PT diz que tudo isso é invenção, mas cito abaixo a resposta do Pr. Silas Malafaia a um questionamento de membros do PT.
Vamos aos fatos:
1. O deputado que saiu do PT, saiu por ter posição cristã contrária aos princípios do partido. E se não saísse, seria expulso.
2. O PT está na vanguarda da defesa do aborto e da PL 122. Estes são fatos reais, verdadeiros. Inclusive, no último dia antes do recesso parlamentar no senado no ano de 2009, se não fossem os senadores Magno Malta e Demóstenes Torres, a líder do PT teria aprovado na calada da noite, por voto de liderança, a PL 122. Isto é uma vergonha, e vocês querem que a liderança evangélica fique quieta!
3. O PNDH3 (projeto Naciona de Direitos Humanos) foi enviado ao congresso pelo Sr. Presidente da República no dia 21/12/2009, e a vergonha é que, nesse documento, em vários pontos, só houve recuo em alguma coisa devido à pressão violenta da igreja católica. O PNDH3, sim senhor, é responsabilidade do governo Lula e do PT.
4. Lamento dizer, mas a verdade absoluta é que os princípios cristãos são inegociáveis para nós. Quanto a isto, o PT está do outro lado. Quero ser franco e honesto: eu só não entrei de cabeça na campanha do Serra, porque também não vi nele garantias de respeito a esses princípios. Nas duas vezes em que fui convidado para participar de audiências públicas pela Comissão de Constituição e Justiça, na primeira vez, que foi sobre a questão do aborto, os deputados que estavam defendendo a legalização do mesmo, eram do PT. Na segunda vez, no Estatuto das Famílias, os deputados do PT estavam defendendo a inclusão dos homossexuais a fim de beneficiá-los na adoção de crianças. Esta é a verdade nua e crua.
Estamos vivendo dias trabalhosos... Como igreja de Jesus devemos assumir as nossas responsabilidades.
Pr. Eduardo Leandro Alves
http://www.adpb.com.br/
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
O Caminho
A relação entre fins (o lugar para onde estamos nos dirigindo) e meios (como chegamos lá) deve ser observada. A idéia de Maquiavel, onde os fins justificam os meios não serve para a Igreja de Jesus. Encaixar os meios corretos aos fins esperados é fundamental na nossa caminhada. Pois os meios não podem apenas serem satisfatórios, mas também corretos com os fins. Os meios devem se encaixar com os fins, caso contrário, todo o processo se desmoronará.
Na vida é muito mais fácil determinar os fins, os alvos que queremos, do que os caminhos que nos levarão até ele. Estabelecer a meta exige pouco esforço, nenhum comprometimento e nenhuma habilidade. Contudo, encontrar os meios satisfatórios para viver para a glória de Deus e de forma condizente com a nossa identidade de filhos de Deus e membros da igreja, ou seja, chegar aos alvos pré-determinados é uma questão de concentração diligente, de perseverança responsável e discernimento aguçado.
Na tentação narrada nos Evangelhos, o diabo desafia a Jesus a cumprir a sua missão de forma a não ter que sofrer as conseqüências da vida natural. Mudar os meios para alcançar os fins.
Cada uma das tentações está relacionada com a maneira pela qual Jesus adotará para realizar a Sua obra. Será que Ele tornará a salvação impessoalizada impondo a Sua vontade às pedras, às pessoas? Será que Ele montará um espetáculo mostrando a providencia miraculosa de Deus sempre que Ele quiser? O que quer que signifique o Caminho de Jesus, a força intimidadora não faz parte dele. O Caminho de Jesus é sempre exercitado de maneiras pessoais, criando, salvando e abençoando as pessoas.
Nas três grandes recusas Jesus está declinando de fazer coisas boas da maneira errada. Cada tentação vinha embrulhada com algo bom. O diabo tem grandes ideias, ele é um visionário! Mas ele é incapaz de se encarnar como fez o Filho de Deus, o Verbo encarnado. O Mal usa as pessoas para corporificar seus projetos em relacionamentos funcionais e não pessoais. Como diz Eugene Peterson: “Todas as vezes que abraçamos caminhos que não são os de Jesus, tentando manipular as pessoas ou os acontecimentos de maneiras que impedem o progresso dos relacionamentos e das intimidades, estamos fazendo a obra do diabo”.
Na caminhada cristã, a mensagem do evangelho, o caminho de Jesus, não é apenas uma estrada para se chegar ao topo. Para muitos, seguir a Jesus é ser livre do inferno, é ser próspero, ter fama, tornar-se líder... Porém, é muito mais que isso. O caminho que nos leva ao céu, a presença de Deus é talhado de relacionamentos, aprendizado, é uma experiência para se viver em comunidade, para se viver como Igreja do Senhor.
A Fé
A história de Abraão é fantástica. Uma de suas fases que me impressiona foi quando Deus pediu a ele o seu filho em sacrifício. Hoje sabemos que Deus estava provando Abraão, provando a sua fé. Sabemos, por meio das Escrituras que Deus não aceita sacrifícios de seres humanos. Mas Abraão não tinha esse pré-conhecimento que nós possuímos após ler a sua história. Ele estava, ainda, escrevendo essa história.
Um ato de fé. A fé nos faz confiar de forma obediente no que não podemos controlar; viver um relacionamento obediente com Aquele que não podemos ver; nos lançarmos em uma terra sobre a qual nada sabemos. Isso se relaciona à fusão do invisível com o visível. Quando se entrega em ato de fé, abre-se mão de exercer o controle, abandona-se a confirmação dos sentidos (visão, audição, tato, olfato) da realidade a volta. Neste momento deixamos de confirmar e insistir nos processos oriundos do conhecimento intelectual como nosso meio principal de orientação da vida cotidiana. Quando damos o passo de fé, escolhemos lidar com um Deus vivo em que confiamos e sabemos que Ele sabe o que faz. Abraão era assim.
Penso em Abraão saindo e caminhando ao lado do jovem, sem saber efetivamente o que aconteceria. Estava disposto a executar o pedido do seu Deus, mas acreditava que Deus para si prepararia o cordeiro.
O caminho de Abraão continua da mesma forma. Em alguma altura do caminho de nossa vida percebemos que não estamos no controle da situação. “A vida de fé não consiste em impor nossa vontade (ou a vontade de Deus!), quer sobre as pessoas, quer sobre o mundo material ao nosso redor. Em vez de formarmos o mundo ao redor, ou as pessoas ao redor, ou nós próprios à imagem do que pensamos ser bom, entramos no processo que dura toda uma vida de não mais organizar o mundo e as pessoas como queremos”.
Fé é uma vida de obediência e confiança em quem nos chamou. Fé é um deliberado “sim” às promessas e às ordens do Deus vivo, o Deus do presente. A fé também é um firme “não” a um ídolo sujeito a manipulação e ao controle, um deus que podemos ver, tocar, testar e dar ordens.
Abraão não se tornou um exemplo de fé porque alguém o explicou sobre a fé, mas por uma longa jornada na vida. Pois, a fé não se aprende por meio de cópias, ou por imitação, ou por dominar algumas técnicas de fé. Todos somos originais quando vivemos pela fé. A fé genuína em Deus nos levará a escolher os meios certos para alcançarmos o fim desejável.
domingo, 4 de abril de 2010
A SEMANA PASCAL
sábado, 13 de fevereiro de 2010
EM BUSCA DE IDEAIS
Não é necessário ser um teólogo para perceber que nos convertemos em 3 níveis: 1) o mais elementar acontece quando nos convertemos dos falsos deuses ao Deus verdadeiro; 2) o seguinte é quando nos convertemos do nosso egoísmo ao senhorio de Cristo e entregamos as rédeas de nossa vida nas mãos de Deus, é um nível mais digno, quando já não sou eu mais que vivo, mas Cristo vive em mim. 3) o nível mais nobre de nossa conversão acontece quando nos convertemos a causa de Cristo. Somente então ele passa a ser realmente a razão do nosso viver. Abraçar o ideal de Cristo é o que nos motiva a vencer os períodos de depressão, a tentação da carne e o egoísmo.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
O PASTOR QUE VIROU MUÇULMANO
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Redil ou covil?
Era um dia comum. Para muitos comerciantes era um dia especial de lucros financeiros. Para líderes religiosos mais um dia para cumprir seus ofícios. Para o povo, mais um dia para cumprir as ordens ritualísticas para encobrir a pecado.
Neste dia tudo corria bem. Todos estavam cumprindo o seu papel. Consciências cauterizadas; rituais vazios; religião de aparências; povo domesticado. Tudo estava normal. Até que...
Até que de repente, não mais que de repente, um jovem pregador, a quem muitos chamavam de Rabi (mestre, professor), sem nunca ter sido associado ao Templo, sem ser fariseu, sem ser saduceu, sem ser zelote, sem ser herodiano, sem estar ligado a nenhum destes grupos do Templo, sem fazer parte do “esquema”, surgiu em plena Jerusalém.
Tudo estava em ordem até que esse pregador vindo de um dos locais mais improváveis, a Galileia dos gentios, entra no Templo. Uma casa que Deus orientou que fosse erigida para que Ele fosse adorado, não apenas pelos judeus, mas como orou Salomão: “também ao estrangeiro que não for do teu povo de Israel, mas vier de terras remotas por amor do teu grande nome, e da tua poderosa mão, e do teu braço estendido, vindo ele e orando nesta casa, então, ouve tu desde os céus, do assento da tua habitação, e faze conforme tudo o que o estrangeiro te suplicar, a fim de que todos os povos da terra conheçam o teu nome e te temam, como o teu povo de Israel, e a fim de saberem que pelo teu nome é chamada esta casa que edifiquei” (2 Cr 6.32.33). Nos tempos neotestamentário a construção era outra, mas a ideia deveria ser a mesma!
Tudo estava em ordem até que este pregador fez uma constatação aterrorizadora: O Templo de Deus, que deveria ser um REDIL, havia sido transformado em um COVIL!!!!
Este pregador, Mestre, chamado de Jesus de Nazaré, foi identificado pelo Apóstolo João como o “Verbo que se fez carne e habitou entre nós”. João o identificou como Deus. Sendo assim, a angústia de Jesus era totalmente justificada, pois os homens haviam mudado o foco da casa que Ele ordenou que fosse construída. Além disso, a mudança aqui não é apenas da estrutura física do Templo, mas uma mudança no interior dos homens, uma mudança de prioridades.
A política religiosa, o status quo, a facilidade que o ser humano tem de buscar sempre o bem pessoal em primeiro lugar, a falta de senso crítico, a ganância, a avareza, as disputas, etc.... Tudo isso fez com que a função do Templo fosse anulada de diversas formas. Uma delas é que o local onde estava havendo o comércio era o chamado pátio dos gentios. Ou seja, se o pátio dos gentios estava loteado, sendo ocupado com vendas, lucro fácil, disputas, não havia lugar para Deus se revelar a outros povos. Sendo assim, Deus continuaria como uma propriedade particular de apenas um povo, que já havia esquecido a muito tempo que deveriam ser uma nação de sacerdotes.
Com esse comércio com o que é sagrado, o nome de Deus era tomado em vão e utilizado para interesses próprios. Não era mais necessário criar o cordeiro sem mácula e transportá-lo com cuidado ao Templo para o sacrifício, era só chegar ao Templo e comprar um cordeiro novinho com um vendedor de sacrifícios! Caso você tivesse um cordeiro, ou outro animal para o sacrifício, mas que não estava nas condições prescritas na Lei, não haveria problemas. Eles aceitavam o seu a base de troca! Você praticamente comprava o sacrifício.
Tudo estava transcorrendo normalmente. Tudo acontecia com a anuência do Sumo-sacerdote (aliás, a narrativa de Lucas dá a entender que Anás e Caifás compartilhavam muito mais do que a simples permissão, estavam envolvidos até o pescoço com esse comércio).
A rotina seguia normalmente... Até que surge esse pregador de Nazaré! Ele faz uma constatação: Minha casa será chamada casa de oração para todos os povos!. Ou seja, é um redil, um lugar onde ovelhas de todas as nacionalidades possam chegar e serem cuidadas, protegidas, tratadas, alimentadas.
Ele continua: Mas vocês a transformaram em covil de lobos e salteadores! Que coisa! Como eles conseguiram? Redil é um lugar de proteção contra os lobos e salteadores, mas a situação estava tão complicada que os lobos e os salteadores estavam ocupando o lugar das ovelhas, estavam dentro do redil, estavam destruindo as ovelhas...
Às vezes penso se em alguns lugares, em alguns círculos religiosos, em algumas reuniões, os redis estão se transformando em verdadeiros covis. Tem aparência de redil, mas ao entrar, a ovelha é devorada. Tem a sua alma dilacerada, seus sentimentos esmagados, sua fé explorada, sua mente perturbada, sua inocência roubada, sua espiritualidade manipulada...
Até que chegue o Rabi, o Mestre, o Pregador de Nazaré, o Salvador, que virará as mesas, expulsará os lobos, os salteadores, os mercenários, e, como diz Jeremias: Vos darei pastores segundo o meu coração!!!
Em alguns círculos religiosos, reuniões convencionais, os Anás e Caifás modernos deveriam entender que não poderão operar livremente a vida toda. Que as suas mentes cauterizadas pelas disputas não servirão de desculpas...
Até que em um dia comum (talvez não tão comum assim), esse jovem pregador de Nazaré, o Cristo Filho de Deus colocará as coisas no seu devido lugar: OVELHAS NO REDIL, LOBOS NO COVIL.
Eduardo Leandro Alves
Graduado em Teologia pala Faculdade de Teologia Sul Americana (FTSA), mestre em Missiologia pelo Seminário Batista de Educação Cristã (SEC-Recife), pós-graduando-se em Gestão Educacional pela Universidade Gama Filho (UGF), Secretário Executivo de Missões da AD em João Pessoa.
sábado, 19 de setembro de 2009
A Esperança que nos move

Estou cansado e sem forças, mas eu tenho que avançar
Até que Deus me chame a seu lar
E ali tudo brilha e o cordeiro é a luz
Onde as noites são claras, são claras sem par
Sei que algum dia no vale só haverá a paz
Só haverá paz no vale para mim eu sei
{Não haverá tristeza, nem perdas, nem lutas no vale}
Só haverá paz no vale para mim eu sei
Lá o urso é manso e o lobo também
O cordeiro e o leão se dão bem
Crianças conduzem as feras com amor
Onde a terra se encherá oh sim dessa paz
Sei que algum dia no vale só haverá a paz
Só haverá paz no vale para mim eu sei
{Não haverá tristeza, nem perdas, nem lutas no vale}
Só haverá paz no vale para mim eu sei
Conta-se a história que o Reverendo Thomas Dorsey viajava de Lousiana para Ciccinnati em 1939, o comboio que o seguia passou por um vale, Rev. Dorsey notou como os animais que estavam pastando pareciam em paz. Aquele cenário bucólico e tranquilo o inspirou a escrever Paz no Vale (Peace in the Valley).
Esta canção é um clássico da música evangélica mundial traduzida para mais de 100 idiomas A tradução acima tornou-se uma das mais conhecidas em português na voz do Pr. Feliciano Amaral.
Essa canção me faz muito bem. Esta canção me fala de esperança, mesmo que esteja cansado... A esperança é irmã gêmea da fé. Pessoalmente não consigo separá-las, pois a palavra esperança expressa a expectativa ou o ato de esperar, e “a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não vêem” (Hb 11.1). É impossível viver neste mundo sem esperança. A tristeza é que muitos já perderam as esperanças. Inclusive crentes. Inclusive obreiros, pastores, missionários... Desculpe a sinceridade... mas não se pode tapar o sol com a peneira... estamos cercados por pessoas que apenas vivem a vida, ou pensam que vivem... na verdade são espectadores sem esperança.
Em muitos púlpitos a esperança se resume às benesses desta vida temporal e fugaz. A esperança, para alguns, não se encontra mais no Reino eterno. Essas pessoas empobrecem o evangelho porque o privam da sua soteriologia. Perde-se o sentido verdadeiro da missão. Nada contra uma vida agradável no aqui e agora, isso é bom. Mas a minha mensagem, a missão da Igreja não está baseada aqui. Somos povo peregrino. Estamos aqui passando uma chuva.
A questão é que a correria da vida, as lutas diárias, as “armações” do mal, as ciladas do Diabo, buscam minar as nossas forças. Com isso, nós cansamos, nos entristecemos... Quem nunca se sentiu assim que atire a primeira pedra!
O problema não é se sentir cansado, O problema é perder a esperança, pois quem perde a esperança nunca vence, pois a vitória da esperança não é chegar em primeiro, é não se cansar, pois só vence quem não se cansa.
Não existe cristianismo sem esperança. Na linguagem paulina, somos salvos na esperança, onde o que é corruptível de revestirá da incorruptibilidade, o que é mortal será absorvido pela vida (2 Co 5.1-11). A esperança é escatológica.
Fiz a citação da canção “Paz no vale”, pois quando me sinto cansado e sem forças, me lembro que tenho que avançar. A esperança me faz caminhar. A esperança é a força motivadora da missão cristã.
Por toda a Bíblia homens e mulheres se mantiveram de pé, seguiram adiante porque possuíam esperança. A Igreja neotestamentária avançou porque possuía esperança, nós precisamos da esperança pra avançamos na missão, pois Cristo Jesus é a nossa esperança.
A ideia da esperança como motivadora é totalmente bíblica. Oscar Cullmann diz que Cristo é considerado como o escatós, como agente da realização escatológica divina em processos diferenciados pela vontade do Pai, ou seja, no Antigo Testamento o sentido escatológico da esperança era ilustrado pelas alianças de Deus com seu povo. Já no Novo Testamento a escatologia divina é manifestada no Filho e executada pelo Espírito Santo, mas no futuro, ela será consumada com a volta de Jesus. Assim sendo, somos ensinados pelo Espírito nas questões que hão de vir.
A posição de Cullmann é pautada na pregação do Evangelho, uma vez que o aspecto kerigmático do cristianismo é essencialmente escatológico. Esta é uma interpretação lógica do “já e ainda não”. O “já” deve ser entendido como uma condição, ou seja, pregar o Evangelho. O “ainda não” é o resultado-conseqüência, isto é, a realização da esperança pela pregação. A igreja (como comunidade), que é condicionada à pregação, anuncia a realidade da esperança na vida cristã e, em consequência disto, a mesma comunidade goza dos resultados dessa pregação. Segundo o Rev. Ismar do Amaral, resta-nos, apenas entender como fica a missão, uma vez que a compreensão da Grande Comissão (Mt 18.18-20; Mc 16.15-17; Lc 24.47-49; Jo 20.19-23; At 1.6-11) é de caráter imperativo e não condicional. Daí, entende-se que a esperança está em realização (o ainda não).
Ou seja, ainda seguindo o raciocínio do Rev. Ismar do Amaral, quando a Igreja através do anúncio profético fala à humanidade sobre o Reino de Deus, ela motiva as pessoas à fé em Cristo, desperta a esperança. Assim sendo, falar do Reino de Deus é falar do propósito redentor de Deus para toda a criação e da vocação histórica que a Igreja tem em relação a este objetivo no aqui e agora. É também falar de uma realidade escatológica que constitui simultaneamente o ponto de partida e a meta da Igreja. A missão da Igreja, consequentemente, só pode ser entendida á luz do Reino de Deus. E já que este Reino foi inaugurado em Jesus Cristo, não é possível entender corretamente a missão da Igreja sem entendermos a própria missão de Jesus. É a manifestação, ainda que incompleta do Reino de Deus, tanto por meio da proclamação, como por meio do ensino, comunhão e ação social. Desta forma, a Igreja como comunidade do Reino produz sinais visíveis e estes devem ser direcionados aos cativos e perdidos. O viver da comunidade é antecipar a presença do Reino de Deus no meio do povo. Isso é esperança.
A despeito de todas as lutas e agruras diárias, a missão da Igreja deve continuar cheia de esperança, pois a esperança faz você cantar: “Estou cansado e sem forças, mas eu tenho que avançar / Até que Deus me chame a seu lar / E ali tudo brilha e o cordeiro é a luz / Onde as noites são claras, são claras sem par / Sei que algum dia no vale só haverá a paz / Só haverá paz no vale para mim eu sei.
Cumpra a Missão. Viva uma vida cristã plena. Encha-se de esperança.
Eduardo Leandro Alves – Secretário Excutivo de Missões da AD na Paraíba (SEMAD-PB), escritor, articulista, graduado em Teologia pela FTSA (Londrina), Mestre em Teologia Prática (Missiologia) pelo Seminário Batista de Educação Cristã (SEC – Recife), pós graduando-se em Gestão Educacional pela Universidade Gama Filho.



