Aqui você vai poder ler artigos que tratam de política, liderança, religião, entre outras análises desta Terra de Gigantes, onde pessoas são trocadas por diamantes...
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
O PASTOR QUE VIROU MUÇULMANO
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Redil ou covil?
Era um dia comum. Para muitos comerciantes era um dia especial de lucros financeiros. Para líderes religiosos mais um dia para cumprir seus ofícios. Para o povo, mais um dia para cumprir as ordens ritualísticas para encobrir a pecado.
Neste dia tudo corria bem. Todos estavam cumprindo o seu papel. Consciências cauterizadas; rituais vazios; religião de aparências; povo domesticado. Tudo estava normal. Até que...
Até que de repente, não mais que de repente, um jovem pregador, a quem muitos chamavam de Rabi (mestre, professor), sem nunca ter sido associado ao Templo, sem ser fariseu, sem ser saduceu, sem ser zelote, sem ser herodiano, sem estar ligado a nenhum destes grupos do Templo, sem fazer parte do “esquema”, surgiu em plena Jerusalém.
Tudo estava em ordem até que esse pregador vindo de um dos locais mais improváveis, a Galileia dos gentios, entra no Templo. Uma casa que Deus orientou que fosse erigida para que Ele fosse adorado, não apenas pelos judeus, mas como orou Salomão: “também ao estrangeiro que não for do teu povo de Israel, mas vier de terras remotas por amor do teu grande nome, e da tua poderosa mão, e do teu braço estendido, vindo ele e orando nesta casa, então, ouve tu desde os céus, do assento da tua habitação, e faze conforme tudo o que o estrangeiro te suplicar, a fim de que todos os povos da terra conheçam o teu nome e te temam, como o teu povo de Israel, e a fim de saberem que pelo teu nome é chamada esta casa que edifiquei” (2 Cr 6.32.33). Nos tempos neotestamentário a construção era outra, mas a ideia deveria ser a mesma!
Tudo estava em ordem até que este pregador fez uma constatação aterrorizadora: O Templo de Deus, que deveria ser um REDIL, havia sido transformado em um COVIL!!!!
Este pregador, Mestre, chamado de Jesus de Nazaré, foi identificado pelo Apóstolo João como o “Verbo que se fez carne e habitou entre nós”. João o identificou como Deus. Sendo assim, a angústia de Jesus era totalmente justificada, pois os homens haviam mudado o foco da casa que Ele ordenou que fosse construída. Além disso, a mudança aqui não é apenas da estrutura física do Templo, mas uma mudança no interior dos homens, uma mudança de prioridades.
A política religiosa, o status quo, a facilidade que o ser humano tem de buscar sempre o bem pessoal em primeiro lugar, a falta de senso crítico, a ganância, a avareza, as disputas, etc.... Tudo isso fez com que a função do Templo fosse anulada de diversas formas. Uma delas é que o local onde estava havendo o comércio era o chamado pátio dos gentios. Ou seja, se o pátio dos gentios estava loteado, sendo ocupado com vendas, lucro fácil, disputas, não havia lugar para Deus se revelar a outros povos. Sendo assim, Deus continuaria como uma propriedade particular de apenas um povo, que já havia esquecido a muito tempo que deveriam ser uma nação de sacerdotes.
Com esse comércio com o que é sagrado, o nome de Deus era tomado em vão e utilizado para interesses próprios. Não era mais necessário criar o cordeiro sem mácula e transportá-lo com cuidado ao Templo para o sacrifício, era só chegar ao Templo e comprar um cordeiro novinho com um vendedor de sacrifícios! Caso você tivesse um cordeiro, ou outro animal para o sacrifício, mas que não estava nas condições prescritas na Lei, não haveria problemas. Eles aceitavam o seu a base de troca! Você praticamente comprava o sacrifício.
Tudo estava transcorrendo normalmente. Tudo acontecia com a anuência do Sumo-sacerdote (aliás, a narrativa de Lucas dá a entender que Anás e Caifás compartilhavam muito mais do que a simples permissão, estavam envolvidos até o pescoço com esse comércio).
A rotina seguia normalmente... Até que surge esse pregador de Nazaré! Ele faz uma constatação: Minha casa será chamada casa de oração para todos os povos!. Ou seja, é um redil, um lugar onde ovelhas de todas as nacionalidades possam chegar e serem cuidadas, protegidas, tratadas, alimentadas.
Ele continua: Mas vocês a transformaram em covil de lobos e salteadores! Que coisa! Como eles conseguiram? Redil é um lugar de proteção contra os lobos e salteadores, mas a situação estava tão complicada que os lobos e os salteadores estavam ocupando o lugar das ovelhas, estavam dentro do redil, estavam destruindo as ovelhas...
Às vezes penso se em alguns lugares, em alguns círculos religiosos, em algumas reuniões, os redis estão se transformando em verdadeiros covis. Tem aparência de redil, mas ao entrar, a ovelha é devorada. Tem a sua alma dilacerada, seus sentimentos esmagados, sua fé explorada, sua mente perturbada, sua inocência roubada, sua espiritualidade manipulada...
Até que chegue o Rabi, o Mestre, o Pregador de Nazaré, o Salvador, que virará as mesas, expulsará os lobos, os salteadores, os mercenários, e, como diz Jeremias: Vos darei pastores segundo o meu coração!!!
Em alguns círculos religiosos, reuniões convencionais, os Anás e Caifás modernos deveriam entender que não poderão operar livremente a vida toda. Que as suas mentes cauterizadas pelas disputas não servirão de desculpas...
Até que em um dia comum (talvez não tão comum assim), esse jovem pregador de Nazaré, o Cristo Filho de Deus colocará as coisas no seu devido lugar: OVELHAS NO REDIL, LOBOS NO COVIL.
Eduardo Leandro Alves
Graduado em Teologia pala Faculdade de Teologia Sul Americana (FTSA), mestre em Missiologia pelo Seminário Batista de Educação Cristã (SEC-Recife), pós-graduando-se em Gestão Educacional pela Universidade Gama Filho (UGF), Secretário Executivo de Missões da AD em João Pessoa.
sábado, 19 de setembro de 2009
A Esperança que nos move

Estou cansado e sem forças, mas eu tenho que avançar
Até que Deus me chame a seu lar
E ali tudo brilha e o cordeiro é a luz
Onde as noites são claras, são claras sem par
Sei que algum dia no vale só haverá a paz
Só haverá paz no vale para mim eu sei
{Não haverá tristeza, nem perdas, nem lutas no vale}
Só haverá paz no vale para mim eu sei
Lá o urso é manso e o lobo também
O cordeiro e o leão se dão bem
Crianças conduzem as feras com amor
Onde a terra se encherá oh sim dessa paz
Sei que algum dia no vale só haverá a paz
Só haverá paz no vale para mim eu sei
{Não haverá tristeza, nem perdas, nem lutas no vale}
Só haverá paz no vale para mim eu sei
Conta-se a história que o Reverendo Thomas Dorsey viajava de Lousiana para Ciccinnati em 1939, o comboio que o seguia passou por um vale, Rev. Dorsey notou como os animais que estavam pastando pareciam em paz. Aquele cenário bucólico e tranquilo o inspirou a escrever Paz no Vale (Peace in the Valley).
Esta canção é um clássico da música evangélica mundial traduzida para mais de 100 idiomas A tradução acima tornou-se uma das mais conhecidas em português na voz do Pr. Feliciano Amaral.
Essa canção me faz muito bem. Esta canção me fala de esperança, mesmo que esteja cansado... A esperança é irmã gêmea da fé. Pessoalmente não consigo separá-las, pois a palavra esperança expressa a expectativa ou o ato de esperar, e “a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não vêem” (Hb 11.1). É impossível viver neste mundo sem esperança. A tristeza é que muitos já perderam as esperanças. Inclusive crentes. Inclusive obreiros, pastores, missionários... Desculpe a sinceridade... mas não se pode tapar o sol com a peneira... estamos cercados por pessoas que apenas vivem a vida, ou pensam que vivem... na verdade são espectadores sem esperança.
Em muitos púlpitos a esperança se resume às benesses desta vida temporal e fugaz. A esperança, para alguns, não se encontra mais no Reino eterno. Essas pessoas empobrecem o evangelho porque o privam da sua soteriologia. Perde-se o sentido verdadeiro da missão. Nada contra uma vida agradável no aqui e agora, isso é bom. Mas a minha mensagem, a missão da Igreja não está baseada aqui. Somos povo peregrino. Estamos aqui passando uma chuva.
A questão é que a correria da vida, as lutas diárias, as “armações” do mal, as ciladas do Diabo, buscam minar as nossas forças. Com isso, nós cansamos, nos entristecemos... Quem nunca se sentiu assim que atire a primeira pedra!
O problema não é se sentir cansado, O problema é perder a esperança, pois quem perde a esperança nunca vence, pois a vitória da esperança não é chegar em primeiro, é não se cansar, pois só vence quem não se cansa.
Não existe cristianismo sem esperança. Na linguagem paulina, somos salvos na esperança, onde o que é corruptível de revestirá da incorruptibilidade, o que é mortal será absorvido pela vida (2 Co 5.1-11). A esperança é escatológica.
Fiz a citação da canção “Paz no vale”, pois quando me sinto cansado e sem forças, me lembro que tenho que avançar. A esperança me faz caminhar. A esperança é a força motivadora da missão cristã.
Por toda a Bíblia homens e mulheres se mantiveram de pé, seguiram adiante porque possuíam esperança. A Igreja neotestamentária avançou porque possuía esperança, nós precisamos da esperança pra avançamos na missão, pois Cristo Jesus é a nossa esperança.
A ideia da esperança como motivadora é totalmente bíblica. Oscar Cullmann diz que Cristo é considerado como o escatós, como agente da realização escatológica divina em processos diferenciados pela vontade do Pai, ou seja, no Antigo Testamento o sentido escatológico da esperança era ilustrado pelas alianças de Deus com seu povo. Já no Novo Testamento a escatologia divina é manifestada no Filho e executada pelo Espírito Santo, mas no futuro, ela será consumada com a volta de Jesus. Assim sendo, somos ensinados pelo Espírito nas questões que hão de vir.
A posição de Cullmann é pautada na pregação do Evangelho, uma vez que o aspecto kerigmático do cristianismo é essencialmente escatológico. Esta é uma interpretação lógica do “já e ainda não”. O “já” deve ser entendido como uma condição, ou seja, pregar o Evangelho. O “ainda não” é o resultado-conseqüência, isto é, a realização da esperança pela pregação. A igreja (como comunidade), que é condicionada à pregação, anuncia a realidade da esperança na vida cristã e, em consequência disto, a mesma comunidade goza dos resultados dessa pregação. Segundo o Rev. Ismar do Amaral, resta-nos, apenas entender como fica a missão, uma vez que a compreensão da Grande Comissão (Mt 18.18-20; Mc 16.15-17; Lc 24.47-49; Jo 20.19-23; At 1.6-11) é de caráter imperativo e não condicional. Daí, entende-se que a esperança está em realização (o ainda não).
Ou seja, ainda seguindo o raciocínio do Rev. Ismar do Amaral, quando a Igreja através do anúncio profético fala à humanidade sobre o Reino de Deus, ela motiva as pessoas à fé em Cristo, desperta a esperança. Assim sendo, falar do Reino de Deus é falar do propósito redentor de Deus para toda a criação e da vocação histórica que a Igreja tem em relação a este objetivo no aqui e agora. É também falar de uma realidade escatológica que constitui simultaneamente o ponto de partida e a meta da Igreja. A missão da Igreja, consequentemente, só pode ser entendida á luz do Reino de Deus. E já que este Reino foi inaugurado em Jesus Cristo, não é possível entender corretamente a missão da Igreja sem entendermos a própria missão de Jesus. É a manifestação, ainda que incompleta do Reino de Deus, tanto por meio da proclamação, como por meio do ensino, comunhão e ação social. Desta forma, a Igreja como comunidade do Reino produz sinais visíveis e estes devem ser direcionados aos cativos e perdidos. O viver da comunidade é antecipar a presença do Reino de Deus no meio do povo. Isso é esperança.
A despeito de todas as lutas e agruras diárias, a missão da Igreja deve continuar cheia de esperança, pois a esperança faz você cantar: “Estou cansado e sem forças, mas eu tenho que avançar / Até que Deus me chame a seu lar / E ali tudo brilha e o cordeiro é a luz / Onde as noites são claras, são claras sem par / Sei que algum dia no vale só haverá a paz / Só haverá paz no vale para mim eu sei.
Cumpra a Missão. Viva uma vida cristã plena. Encha-se de esperança.
Eduardo Leandro Alves – Secretário Excutivo de Missões da AD na Paraíba (SEMAD-PB), escritor, articulista, graduado em Teologia pela FTSA (Londrina), Mestre em Teologia Prática (Missiologia) pelo Seminário Batista de Educação Cristã (SEC – Recife), pós graduando-se em Gestão Educacional pela Universidade Gama Filho.
sábado, 1 de agosto de 2009
Para que ler a Bíblia?

Um discípulo chegou para seu mestre e perguntou:
- Mestre, por que devemos ler e decorar a Bíblia se nós não conseguimos memorizar tudo e com o tempo acabamos esquecendo? Somos obrigados a constantemente decorar de novo o que já esquecemos.
O mestre não respondeu imediatamente ao seu discípulo. Ele ficou olhando para o horizonte por alguns minutos e depois ordenou ao discípulo:
- Pegue aquele cesto de junco, desça até o riacho, encha o cesto de água e traga até aqui. O discípulo olhou para o cesto sujo e achou muito estranha a ordem do mestre, mas, mesmo assim, obedeceu. Pegou o cesto sujo, desceu os cem degraus da escadaria do mosteiro até o riacho, encheu o cesto de água e começou a subir de volta. Como o cesto era todo cheio de furos, a água foi escorrendo e quando chegou até o mestre já não restava nada.
O mestre perguntou-lhe:
- Então, meu filho, o que você aprendeu? O discípulo olhou para o cesto vazio e disse, jocosamente:
- Aprendi que cesto de junco não segura água.
O mestre ordenou-lhe que repetisse o processo de novo. Quando o discípulo voltou com o cesto vazio novamente, o mestre perguntou-lhe:
- Então, meu filho, e agora, o que você aprendeu? O discípulo novamente respondeu com sarcasmo:
- Que cesto furado não segura água.
O mestre, então, continuou ordenando que o discípulo repetisse a tarefa. Depois da décima vez, o discípulo estava desesperadamente exausto de tanto descer e subir as escadarias.
Porém, quando o mestre lhe perguntou de novo:
- Então, meu filho, o que você aprendeu?
O discípulo, olhando para dentro do cesto, percebeu admirado:
- O cesto está limpo! Apesar de não segurar a água, a repetição constante de encher o cesto acabou por lavá-lo e deixá-lo limpo.
O mestre, por fim, concluiu:
- Não importa que você não consiga decorar todas as passagens da Bíblia que você lê, o que importa na verdade, é que através deste processo a sua mente e a sua vida ficam limpas diante de Deus.
Autor desconhecido
quinta-feira, 9 de julho de 2009
A TENTAÇÃO

Na vida temos muitas perguntas a fazer. Por que tantas desgraças? Furacões, terremotos, fome, guerras... Assassinos, pedófilos, etc. Por que tantas pessoas invejosas, fofoqueiras, maldizentes? Há alguns anos atrás li um livro de Philp Yancey que marcou a minha vida, “o Jesus que eu nunca conheci”. Entendi que a forma que Deus gestou a salvação da humanidade foi a mais bela, fantástica e altruísta que só o Divino poderia criar.
O primeiro “ato oficial” de Jesus (entendendo que o seu ministério começou após o batismo) quando foi para o deserto enfrentar o diabo, poderia ter resolvido todas as questões humanas. O próprio Satanás tentou Jesus para que ele mudasse as regras, para que pudesse atingir o seu alvo de uma forma mais fácil, pegando um atalho. Nessa tentação o caráter de Jesus estava em jogo, a história humana estava na balança.
A idéia da tentação: transforma essa pedra em pão, coloca em evidência a tentação do Edem, embora de forma inversa: “você pode ser verdadeiramente humano”? Creio que Satanás não estava apenas fazendo cena, assim como tentou Adão e Eva, estava tentando Jesus com golpes mortais.
Jesus, após ter jejuado 40 dias, chega ao encontro debilitado fisicamente, “tinha fome”. No Edem a tentação colocou dúvida: “será que Deus disse realmente isso?”. Já no deserto: “Será que você é realmente filho de Deus?”. A tentação era colocar Jesus acima de seres humanos, use o seu poder, sacie a fome, coma sem se sujeitar as regras fixas da agricultura. Os outros passam fome, você não! Enfrentar riscos sem o perigo: “pule dessa altura, você não é filho de Deus?”. Enfrente riscos sem o perigo costumeiros das pessoas. Darei tudo a você, desfrute da fama sem a perspectiva da rejeição dolorosa. Em suma: “Use a coroa em vez de uma cruz”.
Qual era a visão que as pessoas tiinham do Messias? Um Messias que pudesse transformar pedra em pão? Um Messias da Torá que aparecesse no pináculo do Templo? Um Messias Rei que governasse os reinos da terra? Satanás estava oferecendo a Jesus que ele fosse o Messias que todos desejavam.
Desejamos tudo, menos o Messias sofredor de Isaías 53. Satanás tocou no “X” da questão. Por toda a sua vida Jesus se deparou com essas tentações. Até mesmo Pedro sugeriu que Jesus não deveria enfrentar a Cruz: “Não tome o caminho mais difícil”. Pregado na Cruz Jesus mais uma vez escuta a tentação de Satanás: “Se és filho de Deus, desça da cruz, salve a você e a nós mesmos”. Mas não houve livramento, nem milagre, nem caminho sem dor.
Se Jesus tivesse seguido os “conselhos” de Satanás ele poderia (pelo menos aos olhos humanos) realizar a sua missão de uma forma mais rápida e mais fácil. Ele poderia conquistar as multidões criando alimento quando necessário, assumindo o controle do mundo e o tempo todo se protegendo do perigo.
Dostoievski, em seu livro os Irmãos Karamazov, conta-nos uma fábula, por meio de seu personagem, Ivan. Esta fábula fala sobre a tentação de Jesus. Na época da inquisição um Jesus disfarçado visita uma cidade num período em que os hereges estão sendo queimados. O grande inquisidor, um cardeal já bastante idoso, percebe que Jesus está andando pela cidade, pois as multidões o seguem. O cardeal não gosta desta aparição e o lança na prisão. Ali eles se encontram e travam um diálogo. O inquisidor tem uma acusação a fazer: rejeitando as três tentações, Jesus perdeu o direito aos três grandes poderes que estavam a sua disposição: “milagre, mistério e autoridade”. A idéia era: Será que Jesus não percebeu que era isso que o povo queria? Disse o cardeal: “Em vez de tomar posse da liberdade dos homens, aumentaste-as e queimaste o reino espiritual da humanidade com seus sofrimentos eternos. Desejaste o amor livre do homem, que ele te seguisse livremente, atraído e cativo por ti.”
Quando Jesus resiste às tentações, segundo o pensamento do cardeal, Jesus tornou-se difícil demais de ser aceito. Sujeitou sua vantagem maior: o poder de impor a fé. Felizmente, disse o cardeal, a Igreja reconheceu o erro e o corrigiu, e tem se apoiado no milagre, no mistério e na autoridade desde então. Por esse motivo, o inquisidor deveria executar Jesus mais uma vez, para que ele não impedisse a obra da Igreja.
A tentação do deserto revela uma profunda diferença entre o poder de Deus e o poder de Satanás. Satanás tem só poder de coagir, de estontear, de forçar a obediência, de destruir. Os seres humanos aprenderam bem beber desse poder. O poder de Satanás é coercivo e externo.
O poder de Deus é diferente, é interno e não coercivo. “Não se pode escravizar o homem por meio do milagre, e a fé necessária é gratuita, não fundamentada em milagre”, disse ao cardeal. Tal poder pode parecer fraqueza, como todo pai e todo bom amante sabem, o amor pode tornar-se impotente se a pessoa amada prefere desprezá-lo. Na história da salvação o Criador se tornaria uma vítima, indefeso diante de um pelotão de soldados em um jardim. Deus se fez fraco com um propósito: deixar que os seres humanos, livremente, escolhessem por si só o que fazer com Ele. Kierkegaard escreveu: “A onipotência que pode colocar a sua mão fortemente sobre o mundo pode também tornar o seu toque tão leve que a criatura recebe independência.”
As vezes sou tentado a pensar que Deus deveria agir com mais rigidez no mundo. Se Deus estendesse a Sua mão e tirasse do nosso meio as pessoas más e miseráveis, corruptos, avarentos, falsos mestres e prepotentes, as coisas seriam mais fáceis. Porém, quando penso assim, percebo em mim o sussurrar da tentação do deserto, do desafio que foi lançado sobre Jesus há dois mil anos. Deus resiste a essas tentações agora como Jesus resistiu as de Satanás no deserto. Diz-nos George MacDonald: “Em vez de esmagar o poder do mal pela força divina; em vez de compelir a justiça e destruir os perversos; em vez de estabelecer a paz sobre a terra por meio de um príncipe perfeito; em vez de reunir os filhos de Jerusalém sob Suas asas, quer queiram quer não, e salvá-los dos horrores que angustiavam Sua alma profética – Ele deixa o mal operar à vontade enquanto existir; contentou-se com os métodos lentos e desencorajadores de ajuda essencial; tornando os homens bons; expulsando, não apenas controlando Satanás [...] Amar a Justiça é fazê-la crescer, não é vingá-la [...] Ele resistiu a cada impulso de operar mais rapidamente para um bem inferior.”
Esse é o nosso desafio: entender a tentação para que sigamos Jesus e não a Satanás com suas sutilezas e seus atalhos que nos desviam da Cruz.
Eduardo Leandro Alves
domingo, 7 de junho de 2009
Que voz estamos ouvindo?

“A vós outros, ó homens, clamo; e a minha voz se dirige aos filhos dos homens....”
Pr. Dennis Allan afirma que todos nós ouvimos vozes. Não estou falando de um louco que imagina conversas, nem da noção de alguma voz sobrenatural que sussurra mensagens ao subconsciente. Uma das formas de ouvirmos vozes é quando damos atenção à influência de pessoas e as suas idéias. Algumas boas, outras nem tanto.
Davi escreveu: “Há no coração do ímpio a voz da transgressão; não há temor de Deus diante de seus olhos. Porque a transgressão o lisonjeia a seus olhos e lhe diz que a sua iniqüidade não há de ser descoberta, nem detestada” (Sl 36.1-2). O que é triste é que muitas pessoas dão ouvido a voz da transgressão. Essa voz oferece o atraente fruto proibido, e promete a liberdade para pecar sem conseqüência. Mesmo com inúmeras histórias que comprovam que pecado não fica encoberto, e apesar das abundantes advertências contra o pecado, a voz da transgressão tenta convencer que dessa vez será diferente, o pecado não será descoberto e, afinal de contas, não é nada tão grave. Deus não irá castigá-lo por alguns prazeres “inocentes” na vida. Ela pode até tentar nos convencer que o pecado trará benefícios, que seja a melhor escolha para nosso bem (cf. Gn 3.4-6). A voz da transgressão é enganosa!
Contudo, o livro de Provérbios no capítulo 8 fala de uma outra voz que nos chama. A sabedoria é personificada neste capítulo, e ela levanta a sua voz e chama as pessoas a escutarem: “A vós outros, ó homens, clamo; e a minha voz se dirige aos filhos dos homens.... Ouvi, pois falarei coisas excelentes; os meus lábios proferirão coisas retas. Porque a minha boca proclamará a verdade; os meus lábios abominam a impiedade.... Melhor é o meu fruto do que o ouro, do que o ouro refinado” (Pv 8.4,6,7,19). A sabedoria se baseia no temor do Senhor (Pv 8.13). Como se pode observar no Salmo 36.1, o ímpio foge deste temor e recusa ouvir a voz da sabedoria. “O temor do SENHOR é o princípio do saber, mas os loucos desprezam a sabedoria e o ensino” (Pv 1.7).
Para muitas pessoas, a busca da sabedoria de Deus parece uma tarefa por demais difícil e tediosa, enquanto os prazeres da carne e as atrações do mundo parecem interessantes e agradáveis. Na vida ouviremos essas duas vozes. Devemos decidir, diariamente, a ouvir uma voz e rejeitar a outra. Como seu pastor e amigo oro para que a sua decisão seja de ouvir a voz do Senhor, a voz da sabedoria. Não se engane: a sua decisão terá implicações eternas!
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Aprendendo a Contar os Nossos Dias

Por: Ariovaldo Ramos
Há alguns dias estive no aniversário de um grande amigo e ponderei sobre a sábia e enigmática frase de Moisés: "Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio." (Sl 90.12). Parece que esse conselho, do grande libertador, sempre nos vem à mente nessas ocasiões. Porém, apesar da beleza da fala do homem de Deus, permanece o desafio do tipo "decifra-me ou o devorarei": o que significa contar os dias da maneira proposta?
Não sei se alguém tem a resposta, mas eu gostaria de propor uma.
Jesus Cristo, certa feita, disse: - "E eu vos recomendo: das riquezas de origem iníqua fazei amigos." (Lc 16.9). Na ocasião, ele estava respondendo ao ataque de alguns fariseus, que estranhavam o fato de Jesus estar recebendo publicanos e pecadores. Por uma questão de justiça para com os fariseus é preciso que se diga que, em princípio, eles tinham razão: publicanos e pecadores não eram simples almas perdidas; eram membros do povo de Israel que traíram ao seu Deus e ao seu povo! Não tivessem os romanos privado os judeus de aplicarem a justiça, tais pessoas teriam sido apedrejadas. Para dar essa resposta, o Senhor lançou mão de quatro parábolas: a ovelha perdida, a dracma perdida, o filho perdido e o administrador infiel.
Na primeira, fala de um pastor que abandona, no campo, 99 ovelhas e vai atrás da que se perdeu. Uma loucura! Deixar seu aprisco à deriva de ladrões e animais selváticos e, mais, quando volta, vai festejar o achado. E as demais ovelhas? Uma loucura! Com essa parábola Jesus parece confirmar que ao receber publicanos e pecadores estava, aparentemente, fazendo uma loucura, mas Ele viera para isso mesmo: cometer uma ´loucura´ pela salvação dos homens.
Na segunda parábola Jesus explica o porquê da disposição à loucura, o valor do homem: embora para os fariseus o publicano e o pecador valor nenhum tivessem, Jesus os via de modo diferente. E como a senhora que, perdendo uma dracma, cerca de R$ 0,30, desarruma tudo concedendo a moeda um valor que de fato não possuía, assim, também, para Jesus o ser humano mais pecador é tão valioso que vale a pena desarrumar tudo para achar um, como fez a mulher que perdeu a dracma.
Na terceira parábola o Senhor, num primeiro momento, concorda com os fariseus, os publicanos e os pecadores são os filhos que, como o filho pródigo, por vontade própria, se apartaram do Pai amoroso. Porém os fariseus, representados pelo irmão mais velho, não conseguiram se sintonizar com o coração do Pai vez que, confiados em seus pretensos méritos próprios acabaram por desenvolver um senso de justiça própria, que os tornou incompassivos e judiciosos.
Por fim, por meio da parábola do administrador infiel Jesus acusa os fariseus de estarem mal administrando fortuna alheia, tanto a vida quanto o conhecimento lhes foi legado e este saber deveria ter-lhes desenvolvido o senso da impossibilidade, ou seja, a consciência de que, jamais, por si mesmos, conseguiriam viver segundo tão elevado padrão e que, o melhor que poderiam fazer era, a partir do que sabiam, diminuir a distância entre os pecadores e Deus pela compreensão, pelo amor, pela bondade, pelo ensino, fazendo amigos a partir de riqueza alheia, pois tanto a vida como a revelação pertencem a Deus. "Para que, quando aquelas (a vida e a sabedoria) vos faltarem, esses amigos vos recebam nos tabernáculos eternos." (Lc 16.9).
Ao recomendar aos mestres da lei que usassem a vida e o conhecimento para fazer amigos para a eternidade, o Senhor respondeu nossa pergunta: - Como viver de modo a alcançar coração sábio? E a resposta de Jesus é: - Vivendo para fazer amigos, pessoas de quem nos aproximamos para aproximá-las de Deus e, para dEle, por elas, sermos aproximados.
Por quê?
Porque como disse o psicólogo suiço Hans Burky:- "O Reino de Deus é um reino de amigos". Porque amigo é esteio nas horas difíceis: "Em todo tempo ama o amigo, e na angústia se faz o irmão." (Pv 17.17). Porque amigo é fonte de amadurecimento: "Como o ferro com o ferro se afia, assim o homem, ao seu amigo." (Pv 27.17). Porque amigos são para sempre. Embora, na ressurreição, nem nos casaremos, nem nos daremos em casamento; sendo, porém, como os anjos no céu (Mt 22.30), teremos amigos: aqueles amigos que nos receberão nos tabernáculos eternos! (Lc 16.9).
