quarta-feira, 28 de novembro de 2012

A HISTÓRIA NÃO PERDOA




Você sabe quem foi Rui Barbosa? É possível que sim. Agora, você sabe quem foi José Gomes Pinheiro Machado? Se você não for um exímio conhecedor da história do Brasil é possível que não saiba. Mas, para satisfazer a sua curiosidade, colocarei abaixo alguns dados da história[1] desse brasileiro e ao final explicarei o porquê fiz essa narração toda.

Logo depois da proclamação da república brasileira (1889), José Gomes Pinheiro Machado foi eleito senador, participando a seguir da constituinte (1890/1891), na cidade do Rio de Janeiro. Com a eclosão da Revolução Federalista (1893-1895) no seu estado natal (Rio Grande do Sul), em 1893, deixou a sua cadeira no Senado, para combater o movimento armado no comando da Divisão Norte, por ele organizada.

Derrotou os revolucionários comandados por Gumercindo Saraiva na Batalha de Passo Fundo (1894), fato esse que lhe valeu a patente de general. Retornou ao senado, onde permaneceu até a sua morte.

Em 1897 foi acusado de ordenar - em um sórdido acordo com Francisco Glicério e outros políticos - o atentado contra o então presidente Prudente de Morais, na entrada do Arsenal de Marinha, em que morreu o general Carlos Machado Bittencourt. A acusação lhe custou alguns dias de prisão, mas diante da falta de provas, foi libertado.

Os partidos da República Velha eram constituídos em âmbito regional, como o Partido Republicano Paulista, o Partido Republicano Rio-grandense e outros. Pinheiro Machado, com a sua ampla visão política, adiantou-se no seu tempo ao fundar um partido político nacional, o Partido Republicano Conservador – PRC.

Em 1905 tornou-se vice-presidente do senado brasileiro, onde passou a controlar a Comissão de Verificação de Poderes, cuja função era a de definir quais candidatos eleitos pelo voto poderiam tomar posse. Com este imenso poder em mãos, eliminou no nascedouro diversos mandatos parlamentares (que foram outorgados pela população) que poderiam ter contribuído para o progresso da nação.

Pinheiro Machado atingiu a sua máxima influência quando Nilo Peçanha assumiu a presidência, após a morte de Afonso Pena, em 1909. Apoiou a candidatura do marechal Hermes da Fonseca à presidência da República em oposição a Rui Barbosa, apoiado pelos estados de São Paulo e Bahia. O resultado das eleições foi de 403.800 votos para Hermes contra 222.800 para Rui. Na época, o normal era que um candidato de oposição recebesse de 20 a 30 mil votos. No mandato de Hermes, o poder de Pinheiro Machado atingiu o seu ápice, onde teve papel predominante na política de salvação, movimento que visava apaziguar as disputas entre as oligarquias regionais. Uma piada publicada pela revista "O Gato", em 1913, resumia bem o poder de Pinheiro Machado. Segundo a piada, no dia em que deixava o Palácio do Catete (então sede da República), Hermes da Fonseca teria dito a Venceslau Brás, seu sucessor na presidência da república: "Olha Venceslau, o Pinheiro é tão bom amigo que chega a governar pela gente".

Pretendia se candidatar à sucessão presidencial em 1914, mas articulações de seus oponentes impediram seu intento. Voltou então aos bastidores, de onde pretendia continuar manipulando à distância os jogos parlamentares e a política dos estados. Tinha imenso prestígio no Rio Grande do Sul e na região Nordeste, mas já colecionava um imenso número de desafetos noutras regiões. Em janeiro de 1915, enfrentou o clamor das ruas da Capital Federal, quando foi recebido por vaias pelos partidários de Nilo Peçanha, cuja eleição para a presidência do estado do Rio de Janeiro quase fora impedida por vontade de Pinheiro Machado. Milhares de "nilistas" pediam por sua cabeça. Meses mais tarde, ao impor o nome de Hermes da Fonseca como Senador pelo Rio Grande do Sul, quase foi linchado por uma multidão feroz que o aguardava na porta do Senado. Foi nesta ocasião que Pinheiro Machado disse uma de suas mais célebres frases, ao ordenar ao cocheiro que o apanhara na porta do Palácio do Conde dos Arcos e que lhe perguntara como deveriam sair dali: "Nem tão devagar que pareça afronta, nem tão depressa que pareça medo!". Em 1915 foi assassinado.

Por que narrei essa história? Pelo fato que a vida política brasileira é cheia de personagens como Pinheiro Machado. Influentes, articuladores segundo os seus próprios interesses, mas que na sequencia da história são esquecidos.

Agora, se eu perguntar quem foi Rui Barbosa... No mínimo a maioria dirá que foi uma pessoa de boa influencia no Brasil.

Como bem disse o Senador Pedro Simon: “O Rui Barbosa é o nosso grande patrono no Senado, mas como político foi um homem de derrotas. Perdeu duas vezes a eleição para presidente da República e não tinha influência no governo. Quem mandava e elegia presidentes era o (José Gomes) Pinheiro Machado, de quem hoje ninguém fala. O Sarney está mais para Pinheiro Machado do que para Rui Barbosa. Vai acabar esquecido pela história.” Bem... poderíamos colocar inúmeros nomes que ainda estão vivos nessa frase do Senador Pedro Simon e que serão esquecidos pela história...

Na verdade, quando nossos dias nesse mundo acabar (e um dia certamente acabarão) o que ficará é a nossa história. E a pergunta é: como ela será contada? Pode se dizer: “a história é contada pelos vencedores. Pela ótica daquele tempo Rui Barbosa perdeu. Contudo, seu pensamento ecoa pelo tempo: “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.”

Se Rui Barbosa pudesse me ouvir (o que acredito que não pode), diria a ele: “quem vive de nulidades, de desonra e de injustiça, serão esquecidos. Sua honra, sua honestidade lhe garantiram um bom lugar na história”.

Essas pessoas que mudam de lado de acordo com as conveniências pessoais serão atropeladas pela história. No futuro a foto do Lula com o Maluf será a “cara do fisiologismo”. Apoiadores de ocasião, não trabalham para o bem coletivo, mas para o bem individual. A história não perdoará.

Pastoralmente (como teólogo, pastor, não posso deixar de dizer isso), essas mesmas verdades servem para o meio eclesiástico, especialmente para os que se utilizam de expedientes contrários aos princípios da Bíblia.

... os ímpios ... são como a moinha que o vento espalha.
Por isso os ímpios não subsistirão no juízo, nem os pecadores na congregação dos justos.
Porque o SENHOR conhece o caminho dos justos; porém o caminho dos ímpios perecerá.
Salmos 1.4-6


[1] http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Gomes_Pinheiro_Machado

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