terça-feira, 8 de junho de 2010

SE EU PUDESSE SER OUVIDO…

Por vezes somos tomados por um sentimento de impotência e incapacidade diante de determinadas situações. O cotidiano nos trás informações boas e ruins. Somos tomados de assalto por notícias escabrosas, políticos que misturam o que é público com o privado, policiais corruptos (bandidos de farda), marginais (sem farda); crianças cheirando cola, fumando crack nas esquinas de nossas cidades...

Como pastor, minhas angústias se multiplicam por entender que a igreja possui uma missão, um objetivo principal: cuidar dos doentes, pois os sãos não precisam de médicos. Esse cuidar dos doentes, que Jesus disse que era a sua missão, inclui diversas aplicações e diversos modos de ser cumprida, sendo o principal deles o anúncio, que deve ser feito pela igreja, de que “ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si... ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído {ou quebrantado} pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e, pelas suas pisaduras, fomos sarados” (Is 53.4,5).

Saber disso faz a minha alma chorar, pois o fato é que há a percepção que o Jesus profetizado por Isaías está sendo relegado a um segundo plano, às vezes terceiro, ou quarto plano. Quantas angústias... em meio a tudo isso (e muito mais), sinto um grito preso na garganta...

Se eu pudesse ser ouvido...

Diria aos poderosos de minha denominação que o poder corrompe. Que os aplausos dos homens são passageiros. Que aqueles que gritaram: “Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor”. Na semana seguinte gritaram: “crucifica-o”. Que a amizade baseada em interesses, se desfaz assim que o interesse que motivou a aproximação acabe. Que tão importante como se começou, é como irá terminar. Tantos que começaram com fama de honestos, são lembrados como ladrões. Começaram humildes e são lembrados como apegados ao poder.

Se eu pudesse ser ouvido...

Diria ao Pr. Silas Malafaia que chorei quando ele anunciou que estava deixando a CGADB. Diria a ele que me aborreci profundamente quando ele lançou a “Bíblia de Batalha Espiritual e Vitória Financeira”. A Bíblia não pode ser tratada como mero negócio, onde os títulos são para impulsionar as vendas e gerar lucros. Sei que outros fazem isso, mas ele era diferente. Diria ao digno Pastor Silas que o tempo que ele tem de programa de televisão eu tenho de vida, cresci ouvindo e sendo abençoando com as suas mensagens. Sendo assim, percebi a mudança de conteúdo quando se tornou necessário o aumento de valores para custear o aumento de horários na televisão. Diria ainda que torço para que os planos de abertura de 1000 templos em 5 anos se concretizem, afinal de contas somos chamados a abrir igrejas! Mas iria lembra-lo a não cair no erro de outros tele-evangelistas que fizeram da sua figura a “cara” da igreja, pois somos seres humanos sujeitos a falhas. Pediria que abrisse igrejas nas zonas rurais do sertão, nos rincões da Amazônia, que seguisse o exemplo de Paulo: anunciar a Cristo onde ainda não foi anunciado. Pois, o que adianta abrir uma igreja em João Pessoa, por exemplo? João Pessoa possui uma média de 700 mil habitantes e certa de 700 igrejas. Ou seja, 1 igreja para cada 1000 pessoas. Só a Assembleia de Deus (Missão) possui 135 templos na Capital com pouco mais de 21.000 membros e cogregados, além de mais de 1000 em todo o estado. Temos ainda a Assembleia de Deus de Madureira, entre outras denominações. Lembraria que não somos concorrentes, não somos empresas que disputamos mercado.

Seu eu pudesse ser ouvido...

Diria aos líderes da CGADB que não se pode tapar o sol com a peneira. Quando muitas pessoas de várias correntes começam a dizer a mesma coisa, precisamos parar, ouvir, arrumar a casa para seguir em frente. Diria a eles que a alternância de poder em uma convenção de conciliação é saudável, onde cada um cumpre a sua tarefa no tempo determinado. O Brasil é um país continental, possui diferenças regionais e cada região pode e deve contribuir para o crescimento.

Se eu pudesse ser ouvido diria a todos os envolvidos neste imbróglio da CGADB e CPAD com denúncias, demissões, renúncias, processos judiciais, etc., que há um limite na paciência de Deus com estas questões. A igreja é de Deus, nós somos mortais, o que fica de nós neste mundo (até que Cristo venha) é a lembrança de como vivemos, de quem fomos. Como os senhores querem ser lembrados?

Se eu pudesse ser ouvido...

Diria que a igreja de Laodicéia era rica financeiramente, abastada, grande, imponente, achavam que estavam abafando! Mas aos olhos de Deus: “e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu”. Eram hipócritas. Mas a eles foi reservado (na minha opinião) a maior promessa entre as 7 igrejas: “Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono”. Ainda há promessa.

Se eu pudesse ser ouvido...

Diria que as disputas e invejas nos igualam aos homens maus. Para os que entram na corrida por posição e triunfo, não há vencedores, é uma corrida perversa que no fim esmagará a nossa alma. O Reino de Deus é diferente, o maior é o menor; a matemática de Deus é diferente, Ele deixa noventa e nove ovelhas para buscar uma; revira toda uma casa arrumada para encontrar uma simples drácma perdida. Os valores do Reino são superiores, não podemos trocá-los pela moda do dia ou por um poder temporal.

Enfim...

Diria que falo apenas em meu nome. Soltaria um grito solitário... Ou talvez, nem tão solitário assim...


Pr. Eduardo Leandro Alves
Sec. Exec. de Missões da AD na Paraíba (João Pessoa)
eduardoleandroalves.blogspot.com